terça-feira, 20 de novembro de 2007

Ela foi puta durante uns bons doze anos, e entre um e outro, pariu uma filha, filha essa que na aldeia onde residiam, sempre foi vista como estranha por duas razões. A primeira era óbvia ao mais distraido, pois esta menina (de não de mais de sete anos) tinha um braço consideravelmente mais comprido do que o outro e a pele como uma casca de árvore de uma tez esverdeada escura. A segunda razão, menos assustadora mas mais indeslindável enigmáticamente falando, era a ausência de som que ela insistia em praticar ao não falar, até chegar ao ridículo de não fazer barulho nenhum ao andar, assustando assim muitas pessoas. O que o resto da aldeia não sabia era dos sonhos que ela tinha. Sonhos de longas planícies áridas e encarquilhadas em que ela passeava num espaço sem tempo, sozinha mas confortável, sedenta de continuar a sonhar, pois ai ela conseguia criar o que queria e quando queria. Era o seu dom.








As coisas estranhas que me vêm à cabeça...

tipo isto!