segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Então começaria assim...

A lesma era, de facto, viscosa e fria. Rafael tinha feito a aposta certa na mesa da sua curiosidade interior quando a dúvida lhe empurrou o dedo para tocar em tão invulgar bicho.
Sentado no segundo ramo da sua árvore preferida do bosque perto da sua casa, Rafael, de cabelos loiros e desgrenhados, ia descobrindo mais particularidades deste jogo chamado vida que tinha começado a jogar há cerca de nove anos atrás. Sempre revelou uma mente extremamente curiosa, desde que, com cinco anos desmontou a televisão do quarto da irmã para ver o que sucedia no interior de tão mágico objecto. "Ainda vai ser um cientista!" dizia a mãe, a dona Lurdes, aproveitando essa particularidade de Rafael para sentir alguma esperança e orgulho no filho, secretamente desiludida que se sentia pelo ligeiro grau de autismo de que este sofria, e que lhe dificultava a vida nas relações com outras crianças e na escola. Os professores diziam que ele tinha muitas dificuldades de concentração nas aulas, pelo que as suas notas escolares não compunham nenhuma sinfonia. No recreio tinha tendência para o isolamento, o que despoletava por vezes comportamentos abusivos por parte de alguns colegas. Curiosamente a sua maior amizade naquela escola era com uma contínua de idade já avançada, a dona Alice, com a qual estabeleceu uma curiosa relação desde o primeiro dia de aulas. Nalguns dias, nalguns intervalos, o Rafael ia ter com a dona Alice e simplesmente fazia-lhe perguntas, de todos os géneros, sobre tudo. De forma singelamente sincera, a contínua tentava fazer o seu melhor para satisfazer a curiosidade do petiz, que a ouvia de olhos gulosos, embalado pelo timbre doce.
- Duas da tarde, já?!
Rafael lembrou-se das suas obrigações logo após o episódio com a lesma e teve a desagradável surpresa do seu relógio lhe indicar que já estava atrasado para o início das aulas da parte da tarde. Com um impulso de braços saltou do ramo para o chão e começou a correr desenfreadamente pelo bosque. "Bolas, a professora já vai ralhar comigo" pensou, não contendo um esgar de sofrimento por antecipação ao recordar-se da última vez que chegara atrasado.
Ao sair do bosque aproximando-se da aldeia, Rafael começou a notar algo de estranho. Um barulho. Um barulho maquinal que vinha da aldeia. Intrigado, aumentou o ritmo da sua corrida ouvindo o barulho cada vez mais próximo. Começou então a notar formas no ar, lá ao fundo. "Helicópteros?" - perguntou-se. Sim, eram definitivamente helicópteros. Nesta altura Rafael já estava completamente baralhado pois nunca tinha visto semelhantes veículos, a não ser na televisão. Ao penetrar na aldeia Rafael observou uma multidão agitada que se concentrava perto da entrada da sua escola. Mas o impressionante cenário era principalmente resultante da enorme quantidade de veículos do exército a rodear a escola, com soldados de arma em riste a tentar controlar a massa humana, que agitadamente se debatia pelo melhor ângulo de observação para o interior da escola.
Perante isto Rafael parou a sua corrida, não só para recuperar algum fôlego, mas também para registar melhor a incredibilidade do que estava a observar.
Passados alguns segundos Rafael retomou o passo, agora bem mais lento, em direcção à multidão. Quando lá chegou, a primeira pessoa que o viu, a dona Filó da papelaria, berrou estridentemente:
- Rafael!!
Os que lhe ouviram o grito, algo abafado por todo o ruído inerente ao momento, inquiriram prontamente a criança, exaltados:
- Porquê tu?!
- O que é que tu sabes?! Tás em todos os canais!
Rafael, totalmente perplexo e assustado, caminhava a custo por entre a multidão até à entrada da escola, controlada por soldados. Ao lá chegar observou outro cenário absurdo. Todas as crianças da escola em filas controladas pelos soldados, professoras e crianças histéricas aos gritos que apenas eram superados pelo violento ruído dos helicópteros que pairavam sobre a escola. A gerir a situação pareciam estar uns homens de fato escuro. Reparou que alguns dos soldados tinham no uniforme uma bandeira que bem conhecia dos filmes. A americana.
- É aquele!!!
"Bolacha", o gordo brigão que tinha perdido para Rafael o jogo de berlindes no dia anterior apontava-lhe o dedo, indicando-o aos soldados, qual futuro delator de excelência. Com celeridade, soldados e homens de fato aproximaram-se de Rafael, acercando-o. Uma mancha liquida ia-se alastrando pelas suas calças abaixo...
- Soldier, translate to the boy! Are you Rafael João Neves Sousa? - berrou um dos homens de fato para um soldado que não possuía a bandeira americana no uniforme.
- Tu é que és o Rafael João Neves Sousa? - perguntou o soldado agressivamente ao petiz, ao que este respondeu um tímido "Sim.." já sem olhar nos olhos de ninguém, tal era o terror. Sem esperar pela tradução, o homem de fato berrou:
- Ok! Bring the boy, lets go to the chopper! Private Pontes, you come with us to translate! Portuguese army, thank you for your cooperation, you are dismissed!
Um dos soldados pegou em Rafael pelo colarinho com uma só mão e levou-o para fora do recinto para o maior dos helicópteros que entretanto tinha pousado. Com eles foram ainda os homens de fato e alguns soldados, entre os quais o soldado Pontes. O helicóptero elevou-se no ar com Rafael apertado entre dois soldados, já a chorar completamente atordoado com toda a situação e sem entender nada do que aqueles homens brutos gritavam uns para os outros. Passados alguns minutos de berreiro inicial, já com a tripulação um pouco mais calma, um dos homens de fato ordenou ao soldado Pontes:
- Ok private, explain the situation to the boy!
Pontes virou-se para Rafael:
- Rafael, sabes o que se está a passar?
- N..não.... - murmurou Rafael, entre soluços.
- Há cerca de 3 horas atrás aterraram 2 objectos voadores não identificados na Antártida, 1 de forma oval e o outro em forma de pirâmide. Entraram imediatamente na frequência de rádio do exército americano e, num inglês perfeito, disseram-lhes para observarem a lua durante os próximos minutos. De repente os cientistas da NASA constataram que a lua se começou a mover a cerca de 120 Km/h em direcção à Terra! Avisaram que se tentassem algum tipo de retaliação eles aumentavam consideravelmente a velocidade. Depois foi a parte mais estranha: dizem que a única forma de parar isto é levarem até eles o Rafael João Neves Sousa! Confirmaram a tua morada, idade e número de bilhete de identidade! Dizem que precisam urgentemente de comunicar contigo! Que só tu sabes a informaçao de que precisam! Percebes?! Se não fores lá falar com eles é o fim do planeta Terra!! O que é que tu sabes afinal?!
Rafael estava completamente a anhar...

7 comentários:

Gomes disse...

Portuguese army, thank you for your cooperation, you are dismissed!

LOL

Gomes disse...

(este LOL foi para o post todo de ter piada e ser bacano)

Carlos disse...

120 km/h ainda está dentro dos limites na auto-estrada... já estou a entender a cena :)

lol ( este lol foi por ter uma pila muita grande e às vezes incomoda ao fazer desporto)

sofya disse...

mas tu estás a dizer que o destino do planeta depende da intervenção de um puto de 9 anos que mexia em lesmas, apanhava porrada no recreio, não tinha grande interesse nas aulas, tinha uma leve paixão platónica por senhoras idosas..? -- bom, antes depender dele do que de um delator gordo chamado Bolacha!

ainda assim espero que os grandes do exército lhe tenham providenciado uma muda de roupa.. onde é que já se viu o pequeno Rafael salvar o mundo de calças urinadas??!! :O

Afonso disse...

Atenção, esqueci-me de referir que o portuguese army era composto por 2 xô guardas e 1 funcionário da EMEL

Pouring disse...

MUAHAHAHAHAHAHAHAH fdx... isto é digno de ser lido às criancinhas antes de dormirem... adorei!!! Private pontes asks for the purple heart after feeling the smell of rafael's urine...

be disse...

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